A peculiar perereca-de-bromélia teresensis

Rodrigo Perereca

Por Rodrigo Barbosa Ferreira

Em 2012, uma equipe de pesquisadores composta por sete biólogos estava amostrando o interior de bromélias em um afloramento rochoso, quando subitamente uma espécie de anfíbio pulou de dentro da planta. Ao capturá-la percebemos que não se tratava de uma espécie conhecida existente na região. 

Analisando alguns indivíduos em laboratório chegamos à conclusão de que se tratava na verdade de uma espécie nova. Morfologicamente esta espécie se diferenciava substancialmente das outras espécies próximas. Análises de DNA confirmaram que a espécie nova estava em um gênero composto por 97 espécies reconhecidas. 

Rodrigo Perereca 2

A segunda grande surpresa era de que a espécie era a única do gênero a ovipor (colocar os seus ovos) na água da chuva acumulada em bromélias. Reprodução associada à bromélia não é surpresa para anfíbios da Mata Atlântica, mas até agora não existia nenhuma espécie do gênero Dendropsophus com esse hábito. A nova perereca foi então batizada cientificamente de Dendropsophus bromeliaceus e popularmente foi chamada de perereca-de-bromélia teresensis. 

O epíteto bromeliaceus se refere à unicidade do hábito de ovipor em bromélia e teresensis homenageia os habitantes de Santa Teresa. Esse município capixaba foi por três anos a única localidade conhecida da perereca-de-bromélia teresensis. No final de 2015, duas novas populações foram registradas em municípios vizinhos (Domingos Martins e São Roque do Canaã) por membros do Projeto Bromeligenous, que estudam as relações ecológicas de anfíbios habitantes de bromélia. 

Devido ao desconhecimento acerca da sua real distribuição e de suas interações ecológicas, a perereca-de-bromélia teresensis pode ser classificada na categoria Dados Deficientes nas listas de espécies ameaçadas. Através do observado em campo, essa espécie exibe cuidado parental, que são os atos que um ou os dois progenitores realizam para assegurar que os seus descendentes sobrevivam à fase de embrião e girino. Certamente sabemos pouco ainda sobre os hábitos e a ecologia da perereca-de-bromélia teresensis, o que a torna bastante peculiar e alvo de novas pesquisas científicas. 

 

Informações adicionais sobre os anfíbios de bromélias podem ser encontradas: 

http://bromeligenous.weebly.com

Ferreira, R. B., J. Faivovich, K. H. Beard, and J. P. Pombal Jr. 2015. The first bromeligenous species of Dendropsophus (Anura: Hylidae) from Brazil’s Atlantic Forest. PlosOne:e0142893.